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Entrevista com Eliana Chrispim

Formada em Estudos Sociais, com Licenciatura Plena em História e Especialização no Programa Educação para o Pensar – Filosofia para Crianças. Também é livre pesquisadora de experiências em Educação Democrática em Escolas Brasileiras, “Amorim Lima e Lumiar” em SP e na Escola da Ponte em Portugal. Mais recentemente, num período em que morou em Curitiba, cursou algumas disciplinas da área de Arqueologia (uma grande e antiga paixão) na UFPA. Trabalha há mais de 30 anos em Instituições Educacionais de diferentes naturezas (Pública, Privada e no 3º Setor - ONG), como Professora e Coordenadora. Também atuou com Roteiros e Execução de Estudos do Meio em diversas localidades, em áreas rurais e urbanas e outros tipos de Visitas Técnicas (atividades pedagógicas que também aprecia e valoriza muito no processo de aprendizagem). E, atualmente, Eliana Chrispim aceitou o desafio e está à frente da Secretaria de Educação de Vinhedo.

Foto: Redes Sociais.

Jornal Tribuna (JT): De onde é e como foi sua vinda para Vinhedo? Em sua opinião, quais as principais qualidades da cidade?

Eliana Chrispim (EC): Nasci em Vinhedo mesmo. E considero que a cidade tem, ao mesmo tempo, muitas qualidades e desafios. Entre as suas qualidades poderia dizer da sua própria localização geográfica estratégica, das boas condições naturais do clima, do seu potencial econômico, etc, porém, o que mais admiro e que vem se intensificando, é sua diversidade cultural, com diferentes etnias, com migrantes de diversas regiões do Brasil, de norte a sul e, mais recentemente, com a presença de imigrantes de diversas origens, no passado e atualmente. Inclusive, mais recentemente, de haitianos, venezuelanos, entre outros.

(JT): Como você recebeu o convite do prefeito Dr. Dario para comandar a Secretaria de Educação?

(EC): Foi surpreendente, pois estava um pouco afastada da vida pública, da própria cidade, tendo retornado há dois anos. Recebi como um presente (aliás, o convite foi feito, coincidentemente, no dia do meu aniversário, sem que ele soubesse, claro) e, ao mesmo tempo, como um grande desafio. Aliás, agora dentro da Secretaria, estou mais ciente do quão grande é esse desafio. Mas sobretudo, me sinto honrada e agradecida!

(JT): Como está sendo o dia a dia neste primeiro mês como secretária?

(EC): Intenso! É a primeira expressão que me ocorre. Intenso na quantidade de horas, de volume e diversidade de trabalho. Costumo dizer que a S.E. de Educação é uma "cidade dentro da cidade", com mais de 10.000 usuários da Rede, desde bebês até estudantes do 9º ano e do EJA e aproximadamente 1.500 funcionários públicos. Me valho também das minhas experiências de trabalho em diversos setores Administrativos, que me possibilitam compreender, um pouco, do funcionamento geral da Secretaria (ainda bem). Mas sobretudo, felizmente, conto com pessoas na Secretaria, que são profissionais muito competentes e comprometidos com o trabalho, aliás, que são comprometidos com a Educação. Sem eles nada funcionaria na Secretaria de Educação, e trabalhamos para o funcionamento da Rede, para atender as crianças e adolescentes, pois é para eles que toda essa estrutura física, humana, pedagógica, financeira, existe. Eu curto muito esse ritmo intenso e cooperativo de trabalho. Por enquanto, nesse momento inicial, com tantas demandas administrativas, legais, ainda não consegui me aproximar mais da parte pedagógica, que é a essência, a alma da Educação, mas que, em breve, estarei mais próxima. Porém, muito segura e feliz por ter como Diretor Pedagógico da Rede o professor Fabiano Berlini, as Coordenadoras Pedagógicas de cada Segmento (Infantil, Fundamental I, II, EJA, Educação Especial) e as atuais e recentes Supervisoras de Educação. Cito as pessoas que estão nesses cargos pois, no dia a dia, nesse momento inicial, são as mais próximas, mas com os poucos contatos e visitas às escolas e reuniões com as Diretoras, já foi possível ver profissionais, pessoas, muito dedicadas, comprometidas com essa causa, que é a Educação.

(JT): Quais os desafios que você acredita que encontrará na Secretaria de Educação?

(EC): Muitos e diversos! Primeiro pela própria extensão da rede, a quantidade e diversidade de pessoas, tanto no funcionalismo, quanto nas famílias. A Educação, especialmente a pública, é sempre bastante complexa, emblemática, e reflete as características da nossa própria condição humana, nossa consciência, nossas expectativas, como pessoas e como cidadãos. Dentro das Escolas há toda a pluralidade, diversidade presentes na própria sociedade, que, ao mesmo tempo, enriquece e gera conflitos. E isso tudo é inerente à Educação, faz parte do nosso "fazer pedagógico". Mas é desafiador. Há outros desafios, seríssimos, de ordem financeira e legal, como por exemplo: nossas escolas, quase a totalidade delas, com problemas físicos estruturais (telhados por exemplo), péssima qualidade de estrutura e conexão de Internet, tão necessária nas escolas, em especial nesse período de Pandemia, muitos profissionais afastados do trabalho (isso não é apenas na Educação), as exigências legais nos processos licitatórios e de contratação de pessoal, etc . Essas exigências são legais e necessárias na gestão pública, mas tornam os processos internos mais demorados).

(JT): Como já anunciado, os alunos da Rede Municipal de Ensino receberão em fevereiro um auxílio de Cesta Básica. Já tem data para o início da entrega?

(EC): Estamos com o processo licitatório aberto, em curso, e como eu disse, há trâmites legais que precisam ser respeitados, prazos da logística de entrega (afinal são mais de 10.000 cestas) então, não posso precisar uma data. Estamos trabalhando em parceria com todos os departamentos da administração para que isso ocorra.

(JT): Muitos profissionais da educação têm questionado a vacinação para o retorno das aulas presenciais. Em Vinhedo tem previsão para a vacinação destes profissionais?

(EC): Questionar faz parte da própria essência da Educação, desde que seja de forma respeitosa, do ponto de vista pessoal e profissional, especialmente num momento tão especial como esse. Quanto ao cronograma de vacinação, o município recebe as orientações do Governo do Estado, não tem autonomia para escolher os grupos prioritários, mas posso dizer por mim, e tenho certeza que pelo prefeito também, que desejamos muito que, em breve, os profissionais da Educação, também, sejam vacinados.

(JT): O retorno das aulas presenciais está confirmado para o dia 01º de março. Como serão as aulas neste momento de pandemia? É obrigatório o retorno dos alunos?

(EC): Sim, esse é o calendário para o retorno presencial, com revezamento e com os protocolos de segurança e higiene para os alunos, profissionais e todos que adentrarem nos recintos escolares. Essa semana foi publicado Decreto sobre o retorno das Atividades Escolares e com ele um Anexo com mais orientações sobre esse funcionamento. Sobre as atividades, preparadas desde a semana de Planejamento (a partir de 25 de janeiro) utilizaremos as boas experiências do ano anterior, as práticas pedagógicas e recursos mais funcionais e possíveis, que incluem as publicações de atividades no site da S.E., contatos através de grupos de wtz, atividades impressas disponibilizadas, kits de atividades com orientações para os pais das crianças mais novas, vídeos, etc. Infelizmente, como já disse das nossas limitações de estrutura e conexão (Internet), não podemos garantir aulas on line, até o momento. A participação presencial é facultativa; os pais podem não permitir a participação dos filhos no revezamento presencial, porém, vamos avaliando isso periodicamente, pois o afastamento prolongado, também, tem prejuízos em vários sentidos.

(JT): Deixe uma mensagem à população vinhedense:

(EC): Valorizem a 'coisa pública' (res public). Acompanhem, se informem sobre o que está acontecendo no município, em especial nas escolas. Cobrem qualidade, ética na gestão pública, acima das diferenças políticas partidárias. Somos todos cidadãos da mesma localidade, é aqui que vivemos. Não façamos dos nossos problemas sociais e econômicos, especialmente num período de pandemia, instrumentos ou bandeiras de lutas, de segmentos. Vamos buscar saber o que está acontecendo, ouvir as explicações, conhecer as razões, o histórico desses desafios atuais e buscar as melhores soluções possíveis. Somos todos corresponsáveis, direta ou indiretamente pelo lugar em que vivemos.

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